O asteroide de R$ 5 trilhões

A maioria dos asteroides encontrados estão cheios de metais muito raros, que vale uma fortuna,muito mais do que a riqueza do brasil inteiro que produz em um ano. Duas empresas dizem que é possível ir buscá-los - e já estão se preparando para fazer isso. Conheça os bastidores da corrida do ouro espacial.


O mundo vive sua pior crise econômica desde a década de 1930. Um grupo de empresários diz que tem a resposta para acabar com a crise e inaugurar a fase mais próspera da história da humanidade. Mais como? Fazendo uma nova corrida do ouro, como as que aconteceram no Velho Oeste americano e no garimpo brasileiro de Serra Pelada - só que, desta vez, no espaço. Isso porque os asteroides, que só costumam ser assunto quando passam perto da Terra (ou quando fragmentos deles caem aqui, como aconteceu na Rússia em fevereiro, deixando centenas de feridos), são uma enorme fonte de riquezas. Contêm quantidades enormes de ouro, platina e outros metais preciosos. "Todos os recursos naturais que você puder imaginar, energia, metais, minerais e água, existem em quantidades praticamente infinitas no espaço", diz Peter Diamandis, fundador da empresa Planetary Resources, a primeira a entrar na nova corrida do ouro.
A Planetary Resources parece estar mais adiante nesse quesito. Entre seus investidores estão Eric Schmidt e Larry Page, respectivamente presidente e CEO do Google, e Charles Simonyi, programador húngaro-americano que fez fortuna na Microsoft. De quebra, ela tem o cineasta James Cameron na função de consultor. No que diz respeito à qualidade técnica das equipes, ambas as empresas estão muito bem servidas. Reúnem ex-funcionários do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato) da Nasa, engenheiros que ajudaram a colocar os jipes robóticos Spirit e Opportunity em Marte, e por aí vai. Pessoas que sabem o que estão fazendo. Mas será que estão à altura do desafio, e têm como pagar a conta?

Veja a lista dos 4 asteroides mais desejados

162385
Diâmetro - 600 metros
Distância da Terra - 12 milhões de km
Valor estimado já descontando os custos da missão - US$ 6,9 trilhões

4034 Vishnu
Diâmetro - 420 metros
Distância da Terra - 1,5 milhão de km
Valor estimado já descontando os custos da missão - US$ 5,28 trilhões

65679
Diâmetro - 730 metros
Distância da Terra - 1,9 milhão de km
Valor estimado já descontando os custos da missão - US$ 1,74 trilhões

7753
Diâmetro - 1000 metros
Distância da Terra - 1 milhão de km
Valor estimado já descontando os custos da missão - US$ 1,31 trilhão

Terra - Lua: 384 mil km
Terra - Marte: 54 a 401 milhões de km (dependendo da órbita)

Asteroides e asteroides
Nem todos os pedregulhos espaciais são iguais. E nem todos estão no mesmo lugar. O maior repositório de asteroides é o cinturão que existe entre as órbitas de Marte e de Júpiter - a uma distância bem grande da Terra. É lá que reside, por exemplo, um asteroide chamado Germania. Estudos telescópicos sugerem que essa pedrona de 169 km de diâmetro é riquíssima em metais preciosos. Pense alto. Mais alto. Mais. Estima-se que o valor dela seja superior a US$ 100 trilhões. É mais do que toda a riqueza produzida no mundo inteiro ao longo de um ano. Mas estima-se que, para explorar todo esse potencial, seria preciso investir US$ 5 trilhões - quase 300 vezes o orçamento anual da Nasa.

Por isso, os primeiros mineradores espaciais estão pensando mais modestamente. A ideia é começar mais perto de casa. O asteroide 2012 DA14, por exemplo, que em fevereiro passou "perto" (a 27 mil km) da Terra, tem valor estimado em US$ 195 bilhões. Mas as naves e os equipamentos necessários para explorá-lo ainda não existem. Antes de começar a construir tudo isso, as empresas de mineração espacial vão fazer um mapeamento detalhado de seus possíveis alvos. Como o asteroide 5143 Heracles, que mencionamos no começo deste texto. Ele fica a 8,6 milhões de quilômetros da Terra - é seis vezes mais perto do que Marte. E há asteroides mais próximos daqui do que a Lua, ou seja, praticamente vizinhos nossos. "Cerca de 900 asteroides que passam perto da Terra são descobertos a cada ano", afirma David Gump, presidente da Deep Space Industries.
A empresa pretende construir sondas de baixo custo, que farão um reconhecimento dos asteroides. 

Pode parecer um delírio, mas não é. Estudos da Nasa já discutem a possibilidade de rebocar um pequeno asteroide até a órbita da Lua para estudá-lo melhor, e técnicas similares poderiam ser usadas para a exploração de recursos minerais. "Os planos até são viáveis", afirma Cassio Leandro Barbosa, astrônomo da Univap (Universidade do Vale do Paraíba), em São José dos Campos. "O que não dá para acreditar é na escala de tempo apresentada. Falam em mineração já a partir de 2020, em menos de sete anos. Não creio que em menos de 20 anos alguém consiga trazer uma pequena amostra de um desses asteroides."
Também há um problema de ordem econômica. É possível imaginar o que fazer com platina e ouro obtidos de asteroides. Mas eles teriam de ser revendidos bem lentamente, ou seu preço na Terra simplesmente despencaria (pois é justamente a escassez desses metais que os torna valiosos). Mas os pioneiros não dão bola para o ceticismo. Peter Diamandis lembra de uma história que o escritor Arthur Clarke, idealizador dos satélites geoestacionários (usados em telecomunicações), costumava contar: "Ideias realmente revolucionárias passam por três fases. Na primeira, as pessoas vão dizer que a sua ideia é maluca, que nunca vai funcionar. Na segunda fase, os críticos dizem que até poderia funcionar. Na terceira, eles vão dizer que sempre acreditaram no sucesso." O tempo dirá.

A nova corrida do ouro
Como a mineração espacial poderá funcionar

1. A pesquisa - 2014 e 2015
Uma rede de 15 minissatélites (1 metro de comprimento cada) é lançada e começa a capturar imagens de asteroides, usando câmeras comuns e especiais.

2. A análise - 2016 a 2019
Essas imagens são analisadas e, a partir delas, identificam-se os asteroides que podem conter minérios de valor.

- 8 800 Asteroides descobertos até o momento
- 900 Asteroides descobertos por ano
- 1 500 Asteroides relativamente próximos da Terra (mais fáceis de alcançar do que a Lua)

3. A viagem - 2020
Uma ou mais espaçonaves não-tripuladas são enviadas até o asteroide e pousam nele. Essa tecnologia já existe: em 2001, a Nasa conseguiu pousar uma sonda no asteroide Eros, a 313 mil quilômetros da Terra.

4. A extração - 2020+
Os braços robóticos da nave perfuram o asteroide e sugam os minérios, que são separados, processados e colocados em cápsulas, que são lançadas de volta.

5. O resultado
Os minérios podem ser comercializados na Terra ou usados como matéria-prima para a construção de bases espaciais. Além de metais pouco valiosos, como ferro, níquel e cobalto, alguns asteroides contêm ouro, platina e paládio. Além disso, eles podem ter até 20% de gelo, que pode ser transformado em:

Água potável - Para alimentar colônias espaciais
Oxigênio - Para respirar
Hidrogênio - Combustível

Um asteroide pode conter até 250 milhões de litros de água.

Fontes:Deep Space Industries e Planetary Resources.